Ser ou estar professor?

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Não é de hoje que escutamos alguém reforçar que a Educação é a base de uma sociedade, de que os professores devem ser mais valorizados e respeitados.

Ao mesmo tempo, não é de hoje também que ouvimos frases como “quem sabe faz, quem não sabe ensina” ou mesmo quando nós, professores, somos questionados se trabalhamos ou apenas damos aula e de que professores são professores por que não conseguiram fazer outra coisa da vida.

Será mesmo?

Será que optamos pela profissão por que não conseguimos fazer outra coisa?
Será que ‘dar aula’ não seria um trabalho tão sério quanto de um médico ou de um engenheiro?
De onde vem estas ditas certezas?
O que realmente move um jovem, no auge de seus dezessete, dezoito anos a optar no vestibular por uma licenciatura ou uma Pedagogia? O que move alguém a se aventurar em uma sala de aula?

Ora, seria de um tom ingênuo supor que para ser professor consiste em algo simples, sendo apenas necessário um amor incondicional pela profissão e gostar de crianças. Fim de história.

Seria um fim de história mesmo?

O processo para se capacitar, enquanto um profissional da Educação, é mais complexo do que se pode imaginar. Não é somente ‘saber a sua matéria’ e ter boa vontade.

O processo para se tornar um professor envolve inúmeros fatores:
É necessário, naturalmente, o fato de saber se relacionar com pessoas. Afinal, a aprendizagem não é apenas uma transferência de conhecimentos, como Paulo Freire advogava contra.

Ela é muito mais profunda. Educar é conhecer-se e conhecer os que estão a sua volta. É saber quem é realmente o seu aluno – saber as suas motivações, saber o que os move a levantar todos os dias de manhã, atravessar (em algumas ocasiões) a cidade somente para chegar a tempo da primeira aula do dia.

É estar ciente de que nem todos os dias serão rentáveis a este aluno ou mesmo para você enquanto profissional. Entender os seus limites e os dos alunos é deveras fundamental. Reconhecer quais são os seus empecilhos e descobrir maneiras de como ultrapassá-los juntos, eis a base da função do professor.

Os alunos não iguais. Cada um é um universo à parte e celebrar a sua essência faz parte da jornada que cada aluno ultrapassa.

Não será sempre fácil, os obstáculos vão surgindo no decorrer do caminho. No entanto, ao reconhecer que as dificuldades existem e que elas são temporárias, formas para que elas possam ser dribladas poderão ser construídas juntas – pois o processo de aprendizagem é uma via de mão dupla.

Reconhecendo e vendo no aluno como um ser único, enquanto a questões referentes as aulas, deve-se estar ciente de que nem todo o planejamento será igual. Os conteúdos podem ser os mesmos, bem como os objetivos a serem alcançados.

Entretanto, não pode ser deixado de lado de que cada aluno tem à sua maneira de enxergar o mundo. Pensar como você irá relacionar o seu conteúdo a sua realidade é vital para que a aprendizagem possa ocorrer de maneira significativa.

Há outros elementos que podemos considerar aqui, que vão além destes aspectos mencionados. Estar na frente de uma turma de vinte a quarenta alunos não é algo simples.

Não basta simplesmente passar uma matéria no quadro ou exigir que os alunos saibam algo específico do conteúdo.
Educar é estar presente.

Não bastar apenas estar professor é preciso ser professor.

Autor: Antonio Filipe Maciel Szezecinski
Professor, Mestre e Doutorando em Educação

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