Processo seletivo: cuidado com esses 10 erros comuns

Processo seletivo: cuidado com esses 10 erros comuns

Uma oportunidade de emprego pode chegar quando você está ativamente tentando se movimentar ou se recolocar. Mas também é possível que ela aconteça quando você está confortável na empresa na qual atua e sem currículos distribuídos. Seja qual for a situação, sempre acho válido que o profissional ouça o que o recrutador tenha a dizer na primeira abordagem para entender qual ponto em seu perfil está atraindo os olhos do mercado, com o cuidado de seguir no processo apenas se a proposta realmente fizer sentido para o momento da carreira.

Por falar em momento da carreira, é válido destacar que, em geral, toma as melhores decisões quem tem um planejamento, ou seja, um mapa de onde está, onde quer chegar e quais são as experiências, as qualificações, os conhecimentos técnicos e as habilidades comportamentais importantes para alcançar esse objetivo. Tenho tanta crença nesse tema que até escrevi um livro sobre o assunto recentemente. No meu entender, fica mais fácil de realizar esse mapeamento quando desenhamos essa jornada em formato de escada, com cada passo ocupando um degrau. Esse plano não precisa ser estático. Aliás, é até bom que você o revisite de tempos em tempos.

Agora, voltando ao tema dos principais erros em processos seletivos, nesses mais de 10 anos no mercado de recrutamento e seleção, já presenciei alguns deles. Vou destacar aqueles que considero muito relevantes e, para ficar mais claro, os dividi em dois momentos.

No primeiro contato

É comum que, antes de iniciar o processo seletivo, o recrutador faça uma lista de candidatos para a abordagem inicial. Nesse momento, o objetivo dele é ligar para cada um e fazer uma checagem rápida do atual momento de carreira das pessoas que deseja entrevistar. Na prática, é possível que ele tenha pouco tempo disponível diante do número de ligações a serem feitas e da urgência no preenchimento da vaga, além de bastante gente interessada na oportunidade. Você poderá perder a oportunidade ao:

  1. Não se mostrar disponível

Salvo em casos de perfis muito específicos, os profissionais que não são encontrados com facilidade nesse primeiro momento correm o risco de serem desconsiderados do processo. O mesmo vale para aqueles que apresentam muitas restrições ou condições para a realização desse primeiro contato ou o agendamento da entrevista, seja presencial ou on-line. Caso receba a ligação em um momento muito inoportuno, explique a situação e já agende um horário para retornar o contato.

  1. Não ser objetivo no discurso

O ideal é que a conversa inicial não dure mais do que 10 minutos. Por isso, prepare-se para explicar de maneira breve o seu momento atual de carreira, o que busca na nova oportunidade de trabalho, qual é o seu pacote de remuneração atual e a pretensão salarial. Elabore um discurso com transparência e bom senso.

  1. Não saber justificar o salário pretendido

Não há problema em pleitear um salário superior ao que está recebendo atualmente, desde que os argumentos considerem dados salariais do mercado, do segmento de atuação ou da empresa em questão.

  1. Não avisar a família de que está em busca de uma nova oportunidade

É muito desagradável quando, ao telefone, um recrutador se depara com familiares que desconfiam da veracidade do contato. E isso acontece muito. Então, sempre que você mencionar telefones de recado no currículo, avise os familiares sobre a possibilidade da ligação.

No momento da entrevista

Nas entrevistas virtuais ou presenciais você deve ter o cuidado de chegar com antecedência. No caso das que acontecem à distância, chame alguém de sua confiança para fazer um teste prévio das funcionalidades do aplicativo que será utilizado, além de luz, som, conexão e posicionamento da câmera. Feito isso, tenha cuidado para não cometer os seguintes deslizes:

  1. Não saber informações da empresa

Talvez isso seja um absurdo para você, mas existem pessoas que entram em uma sala de entrevistas sem ao menos ter visitado o site da companhia. Isso é muito mal visto pelos recrutadores. A recomendação é que o profissional busque, inclusive, notícias sobre a empresa e o posicionamento dela no mercado e diante da concorrência. Se possível, busque também dados sobre a carreira ou os interesses da pessoa que vai te entrevistar. Tudo isso é ótimo tanto para ter o que conversar durante a entrevista quanto para ver se você se sente alinhado aos valores da organização.

  1. Não conseguir comprovar o que está no currículo

Qualquer tipo de inconsistência ou omissão tende a colocar em dúvida todas as verdades que você disse. Dependendo do grau da mentira, ela pode te afastar da empresa mesmo após a contratação. A inconsistência mais comum está relacionada ao nível de fluência em um idioma. Também já vi casos de um curso sinalizado no currículo como concluído quando ele estava paralisado ou de profissionais que não foram honestos quanto aos motivos de uma demissão.

  1. Não demonstrar interesse pela vaga

É interessante que a entrevista de emprego tenha um tom de conversa. É o momento de você descobrir se tem afinidade com a empresa e vice-versa. Um dos principais erros dos candidatos é não entrevistar o entrevistador. Com o cuidado de não interromper o raciocínio do entrevistador, faça perguntas sobre dúvidas que tenham surgido ou para que você entenda melhor o cenário. Por exemplo, questione o que esperam de você à frente do cargo, qual motivo fez com que a vaga ficasse em aberto, como é o clima entre os profissionais da companhia. Quanto mais dúvidas você esclarecer, menores serão as suas suposições.

  1. Falar mal do antigo empregador

Por mais que você sinta mágoa do antigo empregador, procure não passar informações sobre ele com base nessa emoção. Responda o que for questionado sem mentiras, porém com o cuidado de reconhecer as contribuições dele para o seu desenvolvimento como pessoa e profissional. Pode ser, por exemplo, que o temperamento desafiador do seu antigo gestor tenha ensinado você a ser mais resiliente.

  1. Não saber se comunicar

Se você é uma pessoa tímida, não precisa assumir uma postura extrovertida para ter aprovação em um processo seletivo. Mas é fundamental que você tenha capacidade de transmitir ideias de forma clara e objetiva, porém com informações completas e consistentes. A comunicação, que há tempos vem sendo uma habilidade fundamental em todas as áreas e níveis hierárquicos, ganhou ainda mais relevância nesse momento em que as equipes estão trabalhando em home office, ou seja, de maneira distribuída.

  1. Não saber ouvir

Tão importante quanto saber se posicionar é ter habilidade para ouvir. Procure não interromper o recrutador enquanto ele transmite uma informação e só responda a um questionamento após se certificar de que entendeu a pergunta. Isso facilitará muito o bom andamento da conversa.

O mercado de trabalho ainda não está aquecido da maneira como gostaríamos, mas desde junho venho observando um aumento tímido, porém gradual, do número de vagas sendo abertas. Além disso, de acordo com a 13ª edição do Índice de Confiança Robert Half, que trimestralmente mede o sentimento das pessoas com relação ao mercado de trabalho, pudemos constatar que profissionais responsáveis pelo preenchimento de vagas nas organizações nas quais atuam recuperaram a confiança com relação ao futuro. No meu entender, isso também é um bom sinal de que os projetos estão começando a sair da gaveta.

Estar preparado para uma oportunidade não é garantia absoluta de que a contratação vá se concretizar. Mas com certeza aumenta as chances de maneira significativa.

Autor: Fernando Mantovani
Diretor Geral da Robert Half
Partner do IBmérito

*A Roberto Half alcançou o primeiro lugar da lista America´s Best Professional Recruting Firms – Forbes 2020

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