Porque precisamos de heróis?

Porque precisamos de heróis

Cada vez mais está se tornando comum nas empresas, colaboradores que acabam salvando o dia, um herói que movimentou o mundo e acabou fazendo com que a fábrica não parasse, que a Matéria-prima pudesse dar entrada no estoque, que o faturamento fosse realizado, ou mesmo um pagamento não atrasar que poderia gerar juros e multas. Muito comum também escutarmos que trabalhamos diariamente apagando incêndios, fazendo com que o dia do bombeiro seja mais um dia a ser comemorado na Companhia. A pergunta que fica é porque precisamos destes heróis?

Tenho uma perfeita lembrança de um presidente de uma grande Companhia que trabalhei, que dizia ser esse herói alguém prejudicial para a empresa. Confesso que no início não entendia bem o que ele queria dizer, mas com o passar dos dias e os contínuos problemas que tínhamos, comecei a prestar mais atenção no porque os heróis eram necessários e as consequências de seus heroísmos. Podemos abordar as consequências dos atos heroicos sob duas visões e ambas remetem a uma mesma palavra, quiçá a mais importante, Processo. Temos a ótica do próprio herói, que precisou deixar de fazer algo, alguma tarefa sua para interceder em outras rotinas, deixando consequentemente a sua responsabilidade para trás. Na outra ponta, temos a ótica do mundo que foi salvo e principalmente o recado que esse mundo absorve: “Tranquilo, se eu não fizer a minha parte o herói virá me salvar”. Vemos aqui uma grave consequência, pois gera uma acomodação e falta de compromisso com o processo que deveria ser respeitado.

Gostaria agora de fazer um link com aquela palavra citada anteriormente, e que considero a mais importante nessa discussão, Processo. Aquele mesmo presidente que me referi anteriormente, fazia duas perguntas quando tínhamos um problema. Tem processo definido e conhecido? Onde o processo não foi seguido? Ter um processo definido e conhecido parece tão óbvio que é justamente aí que as coisas começam a se perder. Os processos precisam ser mapeados, validados, formalizados, divulgados e monitorados, se uma dessas cinco etapas não estiver sólida, teremos problemas e o herói terá que atuar para salvar o dia. Podemos agora acrescentar um outro aspecto, importante porque ele pode ser consequência dos atos heroicos, que é o seguinte: Se temos um processo mapeado, validado, formalizado, divulgado e monitorado, porque precisamos de um herói? Porque em algum momento o processo não foi seguido como deveria, e isso pode ser porque alguém está tranquilo porque se seu trabalho não for feito, alguém o fará, o herói. Essa é a grande ruptura que precisamos criar nas organizações, não precisamos e não podemos ter heróis atuando quase que diariamente nas empresas. Precisamos focar nos processos, discuti-los, desenhá-los, testá-los e adaptá-los a realidade de cada negócio. E porque os processos precisam estar formalizados e divulgados? Pelo simples fato que os processos não podem estar na cabeça dos colaboradores, as pessoas fazem parte do processo e não o contrário. É muito comum as pessoas saírem das empresas e cria-se uma confusão porque tudo estava na cabeça deste colaborador, com isso quem entra não será treinado para o processo, mas sim para manter as coisas funcionando com grandes lacunas, que somente serão vistas quando algo de mais grave estiver para acontecer, aí será preciso um herói para interferir.

É preciso cada vez mais termos foco nos Processos, defini-los com todos os envolvidos, treinar os colaboradores para que os sigam, e monitorá-los constantemente, utilizando-se de indicadores que avalizem se a performance está de acordo com o que se busca, usando aqui a sempre e cada vez mais atual máxima do Balanced Score Card, de que  aquilo que não é medido não é gerenciado. Com o dinamismo atual e as rápidas mudanças, os Processos precisam passar por criticas em períodos mais curtos para garantirmos o bom funcionamento e a estabilidade das atividades, sem a necessidade de um herói para estar salvando o dia. Sabemos que o mundo perfeito não existe, mas o foco no Processo com o comprometimento que o determinado é o correto a ser seguido, tornará o os dias heroicos cada vez mais raros, e não mais precisaremos celebrar o dia do Bombeiro com tanta naturalidade.

Autor: Erich Hertzog
Color Quimica do Brasil
Gerente Geral
Parceiro do IBMérito

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