Por que os governantes não exploram a meritocracia na gestão pública?

Estamos vivendo a festa da democracia.

Há uma renovação do Legislativo e do Executivo.

Demonstração clara que o povo não aceita mais o velho modelo de se fazer política no Brasil.

Não interessa aqui qual o lado melhor, direita ou esquerda…independente desta escolha, o fato relevante que interessa à toda nação é o questionamento:
Por que a Meritocracia não é explorada na Gestão Pública como caminho para melhorar sua eficiência?
Por que os governos federal e estaduais não adotam, de forma correta, as ferramentas de gestão que as boas empresas privadas adotam na sua gestão de pessoas?

É preciso reforçar que Meritocracia, na sua essência, reconhece contribuições efetivas das pessoas para a melhoria do resultado das empresas.

Nada mais injusto que tratar os diferentes de forma igual, fato que ocorre em sua grande maioria no setor público.

Existe sim um plano de carreira que faz premiações, mas que também não leva em consideração a boa execução da função, entregando promoções de acordo com níveis e não de acordo com os méritos e metas alcançadas.

Se bem implantada, este modelo gera resultados, tanto para a empresa, quanto para as pessoas.

Partindo desta lógica e considerando que o Brasil vai começar um novo período, entendemos que este é o momento oportuno para que os novos dirigentes adotem este modelo, deixando para trás o chamado “compadrio político” como critério de escolha dos ocupantes para posições chaves dos governos e das suas estatais.

Critérios baseados em qualificação para estas posições legitimam a decisão e também são garantia de bons resultados. Nesta linha a remuneração destes profissionais deve ser desenhada dentro de conceitos de mercado, envolvendo a parte fixa e a variável, sob pena de não ser atrativa para pessoas qualificadas e reconhecidas em suas áreas de atuação.

O bônus deve estar atrelado ao PIB e a uma avaliação de desempenho e outra de potencial para garantir uma continuidade da gestão.

Ao mesmo tempo, expandindo a arquitetura da Meritocracia é necessário que os planos de carreiras adotados pelas órgãos públicos sejam revisadas.

A adoção de critérios que garantam a geração de valor dos serviços públicos para a sociedade devem ser considerados. Assim como no mundo corporativo, o conceito de “assistencialismo” não tem mais espaço na “coisa pública”.

Esta ideia vem ao encontro da lei de responsabilidade que limita os gastos com o custo de pessoal.

A produtividade é a palavra de ordem, na medida que a carga tributária brasileira há tempos já ultrapassou o limite.

No escopo da remuneração, o chamado salário indireto (benefícios/privilégios e os planos de aposentadoria) devem ser repensados também, pois são extremamente injustos em relação ao modelo adotado para toda a população e aos cofres públicos.

A intenção destas melhorias está na ideia da criação de uma elite do funcionalismo, valorizada e reconhecida financeiramente no cumprimento de suas responsabilidades, em nível de excelência, para a melhoria do serviço público.

Podem parecer recomendações antipáticas para algumas pessoas, principalmente aqueles funcionários públicos que não honram a oportunidade que receberam para servir a sociedade que os remunera, a partir do pagamento de impostos, mas o mundo mudou, a sociedade mudou e torna-se vital que os governos se atualizem com ferramentas de gestão que realmente sejam efetivas e no sentido de se legitimarem junto à sociedade.

Este é um processo difícil, mas sem volta e já há no próprio governo bons exemplos como o Banco Central e o Banco do Brasil.

Assim como na iniciativa privada, o patrocínio do CEO é essencial para a implantação deste modelo, na esfera pública o novo Presidente e os novos Governadores devem liderar este processo, com o apoio dos parlamentos que foram oxigenados com novos representantes do povo.

Este é o momento, todos juntos pelo novo Brasil, independentemente da cor da bandeira.

Silvano Szezecinski – CEO & Founder – IBMérito