O que esperar no novo normal para a área da educação após a pandemia

O que esperar no novo normal para a área da educação após a pandemia

O que esperar no novo normal para a área da educação após a pandemia

Temos consciência que nada mais será igual como era antes... Com o surgimento do COVID-19, o mundo não é e não será mais o mesmo. E este vírus não trouxe somente reflexos na saúde, mas também na forma de levarmos nossas vidas.

Desde que fomos atingidos por esta crise mundial na área da saúde, também fomos obrigados a rever nossa forma de estar e conviver em sociedade, de trabalhar, de utilizar nossos momentos livres e de estudar. As empresas tiveram que se reinventar, mas nem todas conseguiram ou conseguirão, levando ao fechamento milhares de empresas e aumento no desemprego de forma absurda.

E é bem provável que todos nós estejamos curiosos e ansiosos por conta de “até quando” estaremos em quarentena ou lockdown, como se fosse possível voltar tudo ao normal.

E quando passar esta crise, precisamos estar preparados para este novo normal. E para a área da educação, o que pode vir ali na frente?

Hipóteses são muitas, onde podemos identificar problemas e possibilidades como:

Diferenças entre o ensino público e o privado

Ficará mais escancarada a diferença entre o ensino público e o privado, aumentando sua desigualdade. Inclusive, há uma pesquisa do Inesc - Instituto de Estudos Socioeconômicos de Brasília - DF, que mostra que, com a pandemia, as escolas particulares adotaram rapidamente o ensino à distância (EaD) enquanto os colégios públicos ainda não receberam diretrizes do Ministério da Educação e não possuem equipamentos e programas necessários para implementar as aulas e provas pela internet.

Ensino à distância

A educação é um processo de ensino-aprendizado. Os alunos aprendem com os professores, mas também entre si. Sempre há exceções, mas raras. A educação é um processo presencial. Durante o isolamento social só é possível complementar o ensino.

Aqui há a necessidade de se fazer uma diferenciação. Há o estudo por EaD (Ensino à Distância) e a virtualização das aulas. O EaD é uma forma de ensino onde o professor não está presente e muitas vezes o aluno só tem contato com o professor através de vídeos e conteúdos previamente programados e se o aluno tiver alguma dúvida ou quiser entrar em contato, este será com um tutor que nada mais é do que um assistente técnico que está ali para auxiliar o aluno conseguir cumprir os prazos. O grande problema é que encontramos Instituições de ensino que estão somente para “vender” o diploma e encontra alguns alunos interessados em ter este diploma, e se possível, sem muito esforço. Dá para classificar algumas destas Instituições como “À Distância do Ensino” e não o inverso. Há muito oportunismo e pouca preocupação pedagógica, onde o principal é o financeiro da empresa travestida de instituição de ensino.

Educação à distância não é o ideal para a educação básica. E nem para todos os cursos na graduação. Ou seja, se nosso ensino já estava indo mal com Educação Presencial, agora a situação ficará mais complicada. Não quero dizer que ela não possa ser usada, pode até ser um grande aliado ao ensino, mas não pode ser o principal meio de ensino, pois o professor necessita do contato com o aluno para poder entender suas dificuldades e auxiliá-lo, o que fica muito dificultado com o EaD.

Mas há uma possibilidade muito utilizada e que tem uma eficácia bem melhor, que é a utilização de aulas virtualizadas, o que nada mais é do que a aula presencial com utilização de ferramentas tecnológicas, onde o professor pode conversar, explicar o conteúdo, fazer aplicações e exercícios em contato direto online com os alunos. Supera a distância e a aula é ao vivo.

Mas por mais que estejamos passando por um período de distanciamento que promoveu o ensino à distância, não tenho dúvida que nada substitui o ensino presencial. Com o passar do tempo, as empresas perceberão a grande diferença na formação entre um aluno de cursos presenciais para um que tenha realizado a formação á distância. Nas empresas a relação interpessoal ainda é e será a mola propulsora das relações e negócios e como posso ter um profissional formado que não teve esta experiência, tenha exercitado a relação com outras pessoas na academia. Não será de se estranhar que em breve presenciaremos anúncios de emprego, com uma pequena observação, “preferência por alunos formados no ensino presencial”.

Atuação do professor

O papel do professor ganhou outra relevância nesta crise. O Professor terá um novo papel, que vai além de apenas transmitir conhecimentos. Ele orientará e motivará os alunos. Ficou muito mais claro para todo mundo como é difícil ser professor. O papel do professor está sendo valorizado pelos familiares que são responsáveis pela educação de suas crianças, adolescentes e jovens. Ao acompanhar os filhos, os pais perceberam o quão complexo é o processo de ensino.

O professor cada vez mais precisará se reinventar, ser o catalizador do pensamento crítico e ensinar os alunos a refletir, provocá-los na busca do conhecimento de forma dinâmica e interessante para se seja possível captar sua atenção, tornando os assuntos com um enfoque interdisciplinar.

O professor também precisará estar preparado para um aluno que não é mais o mesmo e reafirmar a importância da tecnologia como meio de ensino-aprendizagem, devendo conhecer e estar familiarizado o suficiente com a internet para conduzir este processo e evitar o mau uso das tecnologias, numa atitude de transformação positiva.

Uso de tecnologias

A tendência é a tecnologia também estar incorporada às rotinas escolares de diversas formas, como uma aliada ao processo cognitivo.

Há formas de trabalhar e dar mais autonomia aos alunos na graduação. O conteúdo teórico pode ser apresentado anteriormente para que os alunos tenham contato e quando em sala de aula, venham dirimir as dúvidas com os professores e fazer a aplicação prática deste conteúdo. Este formato permite a melhor utilização das horas presenciais para aplicação prática e reforça a formação dos acadêmicos.

Aí pode entrar uma grande mudança: a utilização de um modelo de ensino híbrido: parte presencial e parte online. Isto poderá acarretar também a redução das horas presenciais e consequentemente dos valores das mensalidades.

Este cenário de isolamento social trouxe a necessidade de reinventar e solidificar a tecnologia aliada à criatividade. Temos que levar em conta que as novas gerações são cada vez mais digitais, vemos os benefícios disso na própria forma de buscar o conhecimento, motivação de estudo e identificação dos estudantes com o método de ensino utilizado.

Toda esta situação pode parecer assustadora para um setor que utiliza métodos que mudaram pouco com o passara de muitos séculos, mas agora correm aceleradamente. A educação presencial faz toda a diferença. Não há substituto na educação. Nas teorias da educação, nada disso é novidade ou revolucionário. A disrupção causada por esta crise causada pelo COVID-19 pode mudar muitas coisas, só espero que ao menos mude para melhor....

Autor: Jaime Laufer
Ex-Pro Reitor da Unisc-RS
Universidade de Santa Cruz do Sul
Atualmente é Chefe do Depto. de Gestão de Negócios e Comunicação da mesma universidade
Parceiro do IBMerito

 

Rolar para cima