… E o ensino superior no Brasil

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Ao longo de nossos 10 anos, o IBMérito tem se dedicado ao desenvolvimento de projetos de Meritocracia Corporativa em organizações dos mais variados segmentos e portes, assim como cursos de extensão.

Contando com uma equipe de Executivos Seniores do Brasil e Exterior que desenvolveram suas carreiras corporativas em organizações renomadas, vem desde o ano passado promovendo projetos de MBAs em parceria com várias IES, através da ACADEMIA IBMérito. O propósito deste projeto é contribuir com a melhoria da formação acadêmica destes jovens, a partir do compartilhamento de experiências corporativas que geram valor.

Queremos fazer a nossa parte em relação à melhoria da educação no Brasil.

Com este espírito que esta edição da MÉRITONEWS está sendo relançada e de imediato contando com duas feras quando o assunto é Ensino Superior no Brasil. Queremos dar as boas vindas e agradecer aos nossos convidados: Sra. Elizabeth Guedes e Sr. Oto Roberto Moerschbaecher pelo compartilhamento de suas percepções o tema.

Boa leitura!

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Elizabeth Guedes

O ATUAL CENÁRIO DESAFIADOR DA EDUCAÇÃO SUPERIOR NO BRASIL

Não existe momento mais instável e incerto para o tema destas notas. Além de nossos históricos e sobejamente conhecidos problemas, que traçam possibilidades assimétricas para parte de nossas instituições de ensino públicas e privadas, temos os efeitos disruptivos da pandemia que se espalham pela educação como um todo afetando decisões sobre alunos de todas as idades e atingindo o mercado de trabalho de forma certeira.

De repente, ficou claro para quase todos que a digitalização do nosso processo de ensino e aprendizagem é inevitável. Mantenedores e professores pouco afeitos aos meios digitais estão diante de uma realidade inescapável e estes fatos se dão diante de um aparato regulador que consegue ser severo quanto às práticas “tradicionais” e bastante liberal quando tratamos de novas tecnologias. O crescimento orgânico de campus e vagas presenciais é esquadrinhado pelo regulador, enquanto os polos para o ensino mediado por tecnologia são dados como bônus, permitindo, inclusive, a abertura de cursos semipresenciais. Trazer inovação para nosso sistema regulador é imprescindível e deveríamos propugnar por uma corregulação regulada, o que seria um passo importante na direção de sermos menos punidos e mais instados a alcançar a qualidade que precisamos para termos futuro como Nação.

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Universidade al Quaraouiyine
Localizada na cidade de Fez, no Marrocos

Ao mesmo tempo que os dados do Censo do Ensino Superior nos revelam uma parte dos efeitos da pandemia sobre o comportamento das matrículas, presenciais sendo inferiores às dos cursos à distância, os números da Educação Básica não deixam dúvidas: alunos de nono ano do ensino fundamental tiveram seus estudos interrompidos e os formandos do terceiro ano do ensino médio, não puderam se formar e ingressar no ensino superior. Naturalmente o mesmo ocorreu em todas as séries. E esta interrupção, aliada à perda da proficiência já alcançada por estes alunos, terá efeitos duradouros e inevitáveis sobre a qualidade e número de candidatos que pensam em cursar uma graduação. A aflição das matrículas que vivemos neste semestre desafiará nosso sangue frio nos anos que se seguem e precisaremos aperfeiçoar nossos instrumentos de acolhida a estes alunos. Que virão com déficits importantes em sua aprendizagem.

Ao mesmo tempo que os dados do Censo do Ensino Superior nos revelam uma parte dos efeitos da pandemia sobre o comportamento das matrículas, presenciais sendo inferiores às dos cursos à distância, os números da Educação Básica não deixam dúvidas: alunos de nono ano do ensino fundamental tiveram seus estudos interrompidos e os formandos do terceiro ano do ensino médio, não puderam se formar e ingressar no ensino superior. (o mesmo ocorreu em todas as séries.)

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Universidade Federal do Paraná (UFPR)

Esta interrupção, aliada à perda da proficiência já alcançada por estes alunos, terá efeitos duradouros e inevitáveis sobre a qualidade e número de candidatos que pensam em cursar uma graduação. A aflição das matrículas que vivemos neste semestre desafiará nosso sangue frio nos anos que se seguem e precisaremos aperfeiçoar nossos instrumentos de acolhida a estes alunos. Que virão com déficits importantes em sua aprendizagem.

Como as cadeias de valor se provaram globais nesta pandemia, também global e crescente é a alocação de pessoas em seus ofícios. O rápido crescimento do número de startups e seu efeito revolucionário na estrutura dos mercados de mão de obra, nos desafiam a melhorarmos nossos projetos pedagógicos, a oferecermos cursos de pós graduação que permitam que nossos estudantes enxerguem o mundo como um mar de oportunidades e se lancem ao desafio da realidade virtual, que pode leva-los a inúmeros locais remotos de trabalho.

Voltando ao início, o cenário é instável e incerto, mas pleno de oportunidades para todos aqueles que apostarem que o futuro ainda está chegando e que estas mudanças são uma pequena parte dele. Não vamos ficar teorizando sobre modelos que “deram certo” em outros países. Vamos arregaçar nossas mangas e trabalhar no que sabemos que vai “dar certo” aqui, no Hoje. Devemos promover o bem-estar social e o progresso aos brasileiros de todo o país e de todas as classes sociais.

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Universidade de Oxford - Inglaterra

ESTAMOS CAINDO?

Desde 2016 as Universidades Privadas Brasileiras, incluindo as nossas gaúchas, estão num processo de queda acentuada no número de alunos matriculados. Vamos nos deter nos números do Rio Grande do Sul, mas em várias regiões do país os nossos números são similares a estas regiões. O tamanho da queda apresenta resultados um pouco diferentes entre si, mas podemos afirmar que oscila entre 30% e 50% a queda de alunos neste período, 2016 e 2021.

Mas há um fato novo em 2022. Pelos primeiros levantamentos de fevereiro de 2022, entre as Universidades Comunitárias Gaúchas, há a constatação de que “paramos de cair”, ou seja, zeramos o percentual de queda no número de alunos do ano passada para este, e, em algumas Universidades, há um crescimento modesto no ensino presencial e significativo até no EaD.

Talvez possamos dizer que chegamos ao fundo do poço. Teremos que esperar o próximo semestre e o próximo ano, inclusive, para poder afirmar isto. Mas a fotografia do atual momento nos diz isso. E o que encontramos neste fundo, uma pá para continuarmos cavando o fundo? Se não há uma pá, poderemos estar diante de uma boa notícia. E se neste fundo tivermos resíduos, dejetos e tantas outras impurezas, não iremos nos “contaminar” e perdermos nossa saúde para iniciar a escalada de saída deste fundo do poço? Temos a real consciência do tamanho da altura do poço a ser escalado? O diâmetro do poço permite que minhas próprias pernas me incentivem a iniciar a escalada ou terei que consumir energia gritando por socorro?

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Oto Roberto Moerschbaecher

Sobre qualquer ótica da metáfora sabemos, com certeza, que se trata de um poço de grande profundidade e que exigirá um esforço gigantesco, se com as próprias pernas ou com socorro, para sairmos desta situação.

A meu juízo a muito por fazer nas nossas Instituições. Precisamos aprofundar as análises a respeito de nossas atuais estruturas administrativas(organogramas imensos com camadas de comando que se sobrepõe), média salarial(valor x número de funcionários) que consome um percentual elevadíssimo da receita líquida e que torna passivos financeiros cada vez mais elevados e retira do caixa valores que poderiam ser utilizados para adequações tecnológicas, ainda alta dependência financeira de mensalidade de alunos, pouca utilização das estruturas para gerar alternativas de receita financeira e por aí vai.

Ainda a meu juízo, penso que deveríamos pensar com muito carinho e atenção na formação de alunos, a partir de novas estruturas de cursos, que sejam “resolvedores de problemas”. Não desejo desqualificar o que nossas Universidades fazem e muito bem, que é formar pessoas com capacidade e conhecimento para transformar a sociedade através da geração de valor e, por consequência, melhorar a qualidade de vida das pessoas onde estão inseridas. O que quero propor é que nossas Universidades adicionem nas suas ofertas cursos de perfil de rápida formação, com conteúdos que de fato qualifiquem os futuros profissionais, mas que estes conhecimentos sejam aplicados e se transformem em valor por sua aplicação.

E há inspiração para o que proponho (formar resolvedores de problemas). Em 2012, e lá já se vão dez anos, tive a oportunidade de visitar a Universidade de Turku, na Finlândia. Eu e uma comitiva de professores e gestores das Comunitárias Gaúchas durante um MBA que realizamos naquele ano. E lá conhecemos a pedagogia inovativa implementada por eles. De modo muito simplificado é possível explicar do que se trata. Um aluno, no segundo semestre, deve ser inserido num projeto de pesquisa, de um semestre de duração, para ajudar a resolver um pequeno problema de uma empresa. E nos próximos quatro semestres, este mesmo  aluno deve ser inserido num projeto de pesquisa que dure quatro semestres, e deve ajudar a resolver um grande problema de uma empresa.

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Penso que a associação de ações que descrevi acima poderão nos ajudar a sair do poço. Em quanto tempo? Não sei. Com que esforço? Não sei exatamente quanto, mas não será pouco. Isso é certo.

Outra coisa certa é que está em nossas mãos a condição de sair do poço, independente de todas as condições que sabemos que fazem parte do cenário onde estamos inseridos e do país onde vivemos.

Boa escalada para todos.

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